Não te comparo com uma flor
Pois ela não é tão bela
Não digo nada sobre teu calor
Que aquece minha alma, a degela
Os teus olhos lindos
Os quais absorvem a beleza
Dos oceanos extensos
Onde afogo minhas tristezas
Tristeza que me acompanha
Por sentir sua ausência
É de não estar com você nas manhãs
Que acordo não entendo minha existência
Outra infelicidade que tenho
É de acordar sem o seu “bom dia”
Desejo que dura mais de uma vida
Pois sua presença nunca desdenho
Vicente Almeida
Amor não pode ser sempre usado
Eu te amo? Nunca! Não em demasiado
O sentimento de amar emagrece
E seu laço onde o amor é deixado empobrece
Vicente Almeida
Com os rostos familiares
Ao redor de tanta desgraça
É estranho ver minha mascara ir pelos ares
O que fazer enquanto tudo se despedaça?
Desejo uma rotina sem sentimento
Por onde minha loucura caminha?
O que é esse relento?
Por onde sua beleza vinha?
Em minhas veias esta peste circula
Como se o vento gélido soprasse a flor da pele
O medo (ou solidão) na minha cabeça ovula
Esperando o terror da depressão pois ainda não a apetece
A Verdade?
É verdade que minto.
Esqueço-me das premissas
Não sei mais o que sinto
Apenas raciocino em falácias
Sentimentos viscerais
Ocultas no meu olhar rasgado.
Alguns impulsos ancestrais
Em devaneios junto ao desespero.
Logo o cardio para
Mais uma chace desmerecida?
Cá estou desorientado
Apenas vou de encontro ao acaso
Com minha alma apodrecida.
Cominhalmapodrecida.
Vicente Almeida

Imagem: Sultan-Alghamdi
O vazio não faz sentido
Espaço em excesso não é do meu agrado
Não queria viver apenas do prometido
A mente distrai, destrói, me ilude o desgraçado
Na desgraça não estarei
Estou confuso apenas
Meu corpo ainda não deserdei
Ainda virá a calmaria com tardes serenas
Vida que continue
Pois a alma ignora o frio
Mesmo que algo insinue
Que o obscuro não é tão sombrio
Vicente Almeida
Começo a perceber o quão errado eu sou
Quantos tropeços na minha vida isso resultou
Criando sermões de um padre imaginário
Da religião submissa ao corvo que chamo de “canário”
Acreditar na beleza falsa da humanidade
É pedir anti-depressivos à vaidade
Onde sangra nos cantos da boca todo o dia
Do qual a cor combina com a calcinha de qualquer vadia
Sento e peço menos tempo, menos um ano
Pois sou torturado por um humano não humano
Pois sou torturado por um canário corvo
Em meio de inverdades, o mar é confuso. É turvo.
Vicente Almeida
Descanse corpo, cesse sua ânsia!
Não busque pelo o que está em outro estado
Não voltará lá, desista antes que morra no chão estirado!
Por que move com tanta ignorância?
Afinal, no que adianta…
Se não durmo por medo de não sonhar.
Quantos tiros teus terei que aguentar?
Serei sustentado pelo grito de “eu te amo” adormecido na garganta?
Ah… Vivo de suspiros
Morro por desejos
Diante à um precipício. Respiro
E da brisa que vem do rio, busco teu beijo
Vicente Almeida